
Mónica Martins Nunes
(2021)
HD, cor, som, 39 min

Velhos montes vão caindo vagarosamente sobre a terra. A mesma terra da qual um dia foram erguidos. E sem protesto, voltam a ser só chão, como se não tivessem abrigado gerações de gente lavrando, semeando, ceifando, amassando e comendo o fruto do duro trabalho. Fingindo não ter escutado as estórias, modas, décimas e outras poesias; e testemunhado a seca, o abandono, a fuga para a cidade.
SORTES acompanha a vida dos restantes habitantes e seus animais, espalhados pela Serra de Serpa no Baixo Alentejo. Ao ritmo do trabalho do campo e pela voz dos poetas populares, torna-se retrato dos que ficaram e réquiem aos que foram.



Deniz Şimşek e colaboração
artística de Mónica Martins Nunes
(2024)
HD, cor, som, 18 min


Um monstro aquático com 4000 anos resiste a cair no esquecimento, vivendo agora nos contos de poucos. O seu mito remonta aos antepassados dos arménios e curdos em torno do Lago Van, uma região que testemunhou a limpeza étnica de ambos os povos. Na encruzilhada dos reinos mitológico, político e pessoal, diferentes formas de apagamento estão ocultas. Embora aqui, onde até os monstros são politizados, a topografia tenha a sua própria memória. Tem o blues mitológico.

Mónica Martins Nunes e colaboração artística de Deniz Şimşek
(2024)
HD, cor, som, 30 min

Brotam. Nos terrenos baldios contra o martelar dos prédios sempre em construção, entre muros de granito, cimento e chapa com ferrugem, musgo e gatos; na encosta entre o comboio e o rio, junto ao trânsito na VCI, frente ao metro, brotam hortas. Nesta cidade, a coreografia de gestos milenares do cultivo da terra repete-se dia após dia, sem falta. Semeiam, cavam, colhem, regam, comem, falam, descansam, voltam no dia a seguir e recomeçam os discretos gestos de resistência. O dia mais longo do ano traz o S. João e ninguém se vai deitar mas quando o sol nascer, os discretos gestos de resistência vão recomeçar.

